VAR: o que o árbitro de vídeo pode e não pode revisar
As cinco situações que o VAR pode revisar em 2026/27, o que ele nunca pode tocar, checagem e revisão, quem decide e por que algumas demoram tanto.
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O árbitro de vídeo não está lá para apitar a partida uma segunda vez. Ele existe para corrigir alguns poucos erros graves, e as regras que dizem quais são curtas e muitas vezes mal compreendidas.
Veja como o VAR funciona pelas Regras do Jogo 2026/27, que entraram em vigor em 1º de julho de 2026 e ampliaram o que pode ser revisado.
Para que serve o VAR?
O VAR é um membro da equipe de arbitragem com acesso independente às imagens, que trabalha numa sala de vídeo com assistentes de VAR e operadores de replay. Uma competição só pode usar o VAR se cumprir as exigências do Manual do VAR e tiver autorização por escrito da FIFA.
Quando preparava os primeiros testes com o VAR, em 2016, a IFAB resumiu a ideia assim: "mínima interferência, máximo benefício". O vídeo só entra em lances que mudam uma partida, para que o jogo não perca ritmo nem emoção com paradas constantes. Hoje o VAR só pode ajudar o árbitro diante de um "erro claro e óbvio" ou de um "incidente grave não visto", e só numa lista curta de situações.
O que é um "erro claro e óbvio"?
O árbitro sempre decide primeiro, como se não houvesse VAR. Ele não pode esperar pelo vídeo no lugar de decidir, mas mandar o jogo seguir também é uma decisão e pode ser revisado. A decisão original vale, a não ser que o replay mostre com clareza que ela estava errada.
O protocolo separa dois tipos de questão. Os fatos, como onde foi a infração, se um jogador estava em posição de impedimento, o ponto de contato ou se a bola tinha saído, são checados em câmera lenta e costumam ser resolvidos com a informação do VAR. As interpretações, como a intensidade de uma entrada, a interferência num impedimento ou se um toque de mão é infração, são vistas em velocidade normal, e o próprio árbitro deve vê-las.
O que o VAR pode revisar?
Durante anos a lista teve quatro categorias. Desde 2026/27, são cinco:
- Gol ou não gol. Infração do time atacante na construção da jogada ou na finalização (mão, falta, impedimento), bola fora de jogo antes do gol, se houve gol ou não, e infrações do goleiro ou do batedor num pênalti.
- Pênalti ou não pênalti. Infração do ataque na construção da jogada, bola fora de jogo antes do lance, se a infração foi dentro ou fora da área, pênalti marcado por engano e infração para pênalti não marcada.
- Cartões vermelhos. Impedir uma chance clara de gol, jogo brusco grave, conduta violenta, morder ou cuspir, atitudes ofensivas, insultuosas ou humilhantes e, agora, um segundo amarelo claramente errado.
- Erro de identidade. Cartão amarelo ou vermelho mostrado ao jogador errado, de qualquer um dos times. Só se revisa a identidade do infrator, não se a infração aconteceu.
- Escanteio claramente marcado por engano, só se a competição tiver optado por isso e só se a decisão puder ser mudada na hora, sem atrasar o reinício.
O VAR pode revisar o segundo cartão amarelo?
Sim, desde 2026/27, mas só num sentido. Se um jogador é expulso por um segundo amarelo claramente errado, o VAR pode ajudar o árbitro a corrigi-lo. O exemplo da própria IFAB é o de um atacante que leva o segundo amarelo por uma falta num zagueiro que, na verdade, se jogou: depois da revisão, o segundo amarelo e o vermelho são anulados, e o zagueiro recebe amarelo por simulação.
O que o VAR não pode fazer é procurar um segundo amarelo que o árbitro deixou passar. Uma entrada imprudente de um jogador já amarelado, que o árbitro não viu, não pode ser revisada.
O que o VAR não pode revisar?
Tudo o que fica fora das cinco categorias: um amarelo comum, uma falta no meio-campo, um lateral, um tiro de meta ou um escanteio quando a competição não adotou essa opção. Decisões de reinício não podem ser mudadas depois que o jogo recomeçou.
O momento também conta. Se o jogo parou e recomeçou, o árbitro só pode revisar um erro de identidade ou uma possível expulsão por conduta violenta, cuspida, mordida ou atitudes extremamente ofensivas, insultuosas ou humilhantes. Um pênalti não marcado já não pode ser dado.
Jogadores e técnicos não podem pedir revisão. O VAR checa automaticamente todo lance relevante, então não há o que pedir.
Qual a diferença entre checagem e revisão do VAR?
A checagem acontece em todo gol, pênalti, cartão vermelho e possível erro de identidade, com vários ângulos de câmera e em velocidades diferentes. A maioria é silenciosa: o VAR não encontra erro claro e não diz nada. Se o reinício precisa esperar, o árbitro leva um dedo ao ponto eletrônico e estende o outro braço até a checagem terminar.
A revisão é o passo seguinte, e só o árbitro pode iniciá-la, por recomendação do VAR ou porque suspeita que deixou passar algo grave. Se o jogo está rolando, o árbitro para o jogo quando a bola estiver numa zona neutra, normalmente quando nenhum time está atacando, e faz o sinal de TV. Na revisão em campo, o árbitro vai à área de revisão e vê as imagens. Na revisão só pelo VAR, ele decide com a informação passada pelo VAR, o que é o comum em questões de fato.
Quem toma a decisão final, o árbitro ou o VAR?
Sempre o árbitro. O VAR tem o mesmo status dos outros membros da equipe de arbitragem e só pode ajudar. No fim da revisão, o árbitro faz o sinal de TV e anuncia a decisão final, que segue o que as imagens mostram: uma revisão aberta por um possível vermelho pode terminar em amarelo. Uma competição também pode fazer o árbitro anunciar e explicar a decisão em público; o protocolo deixa essa escolha a cada competição.
Os jogadores não podem cercar o árbitro nem tentar influenciar a revisão. O jogador ou membro da comissão técnica que entrar na área de revisão ou fizer o sinal de TV em excesso leva amarelo; quem entrar na sala de vídeo é expulso.
Como o jogo recomeça depois de uma revisão do VAR?
O árbitro aplica, muda ou cancela as punições disciplinares e reinicia o jogo de acordo com as Regras. Nos exemplos da IFAB, um pênalti anulado porque o atacante se jogou vira tiro livre indireto para o time que defende, com amarelo para o atacante. Um pênalti anulado porque o toque de mão não era infração recomeça com bola ao chão para o goleiro do time que defende se o árbitro apitou antes de a bola sair, ou com escanteio se ela já tinha saído.
Se o jogo seguiu antes da revisão, os cartões mostrados nesse meio-tempo continuam valendo, mesmo que a decisão original mude. A exceção é o amarelo ou a expulsão por interromper um ataque promissor ou impedir uma chance clara de gol.
Por que algumas revisões do VAR demoram tanto?
Porque o protocolo coloca a precisão acima da rapidez e não fixa limite de tempo. Algumas situações reúnem várias decisões revisáveis ao mesmo tempo, e é justamente esse o motivo que o protocolo dá para não haver tempo máximo. Num gol, num pênalti ou num vermelho por impedir uma chance clara de gol, o VAR pode voltar por toda a fase de ataque, inclusive até o momento em que o time ganhou a posse da bola. Além disso, o árbitro pode pedir mais ângulos e velocidades de replay.
Na assembleia geral anual de 2026, a IFAB concordou que, dez anos depois da chegada do VAR, vale a pena revisar o protocolo para tornar o sistema mais eficiente e mais justo. Até lá, a decisão certa importa mais do que a rápida.
Fontes: Regras do Jogo IFAB 2026/27, protocolo do VAR, Regra 5 da IFAB, o árbitro, Regra 8 da IFAB, o início e o reinício do jogo, mudanças nas Regras do Jogo IFAB 2026/27, Circular 32 da IFAB, Circular 7 da IFAB.
Escrito a partir dos dados de partidas do ScoreTable com a ajuda de um modelo de IA e conferido com os resultados que descreve. Viu algo errado? Fale com a gente.